Domingo, 2 de Maio de 2010

Sala 3 senhora, bom filme! (rogando praga)


Este post é dedicado ao Instituto "Programas Furados", bancado integralmente pela dona deste blog. Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência.




"Para sua comodidade a rede Cinemark conta com saídas de emergência nos quatro cantos da sala de exibição. (...)Não se esqueçam: cinema e pipoca combinam. Favor depositar o lixo nas lixeiras após a exibição do filme. Aviso: desliguem os celulares".



O cinema é, para a maior parte da população, entretenimento, diversão. Pra mim também, às vezes...em momentos onde a Nossa Senhora do Cinemark atende as minhas preces. Uma vez eu vi uma entrevista do Murilo Benício (o que tem cara de maluco), onde ele falava que só ia aos cinemas às 2ªfeiras porque era mais vazio. Eu quase me arrepiei na hora..nunca tinha me identificado tanto com alguém assim. Bateu até aquela ‘invejinha’..porque infelizmente, eu raramente consigo ir ao cinema no segundo dia da semana. Um dia perfeito pra mim? Dia de cinema vazio. Só eu e quatro gatos pingados..pingados em cada canto da sala..bem longe de mim. De preferência, mudos.

Mas sabe como é. A vida nos traz provações e uma delas é ir ao cinema às sextas e sábados. Se você sobrevive a uma sessão lotada, você entende o porquê da campanha contra o desarmamento e sente um alívio por não saber atirar ou fabricar bombas caseiras. Guardo tantas lembranças desses momentos que tenho até raiva. O bom é que quando se passa por tantos conflitos cinematográficos (quase literalmente), a vítima (no caso: eu) consegue identificar no meio da multidão seus inimigos e futuros desafetos:



1- Adolescentes

No alto dos meus 24 anos posso afirmar com conhecimento de causa: adolescentes foram feitos para andar em grupos porque sozinhos eles não são nada. Em grupos eles são uma ameaça. E eles sabem disso. Usam isso a seu favor para fazer o que fazem melhor: perturbar a mim, a ti, a nós, a vós, aos outros e aos pais deles. Simples assim.

Se eu perceber durante a fila, que um grupo deles está comprando ingresso pro mesmo filme que eu quero assistir, escolho outro. Juro. Até porque não dá pra você pedir no guichê: “Olha, me dá um ingresso pra esse filme, um pacotinho de Antraz e uma máscara”. É contra a lei. Mas a lei não proíbe a entrada de garotinhas irritantes com cabelo liso escorrido, aparelho nos dentes, calça colada e salto alto, acompanhadas de garotinhos igualmente irritantes, que pegaram emprestado a chapinha da namoradinha pra deixar o cabelo liso escorrido na testa cheia de espinhas, trajando calça na altura da bunda e uma camiseta com escritos em inglês que provavelmente dizem: “Vou ferrar com seu fim de semana”. Isso é permitido!! O que mais me irrita nos adolescentes? Tirando a existência deles..é a carência de atenção, com um “q” de rebeldia e o conhecimento de que só podem ser presos na maioridade.

A cena é clássica: geralmente, em grupos de 5 ou 6, eles já entram na sala de cinema fazendo barulho, zoando uns aos outros, falando alto e rindo. Nunca escolhem as fileiras da frente e sim, as de trás. Justamente para causarem torcicolo naqueles que em vão, tentarem identificar no breu quem são os tais filhos da puta. Eu não tenho paciência. Sou grossa e grito:

- Supernany!
- Olha a água quente!
- Volta pro mato, Chico Bento!


2- Zé stand up comedy


Todo brasileiro tem um gene Didi Mocó na constituição do seu DNA. O problema é que às vezes, ele sofre mutações ao entrar em salas de cinema. Pessoas aparentemente pacatas transformam-se em máquinas mortíferas de piadas sem graça. É fácil você identificá-las: elas geralmente começam o show após o primeiro trailler de terror:

- Uhullll – grita o infeliz.

Pronto. A primeira célula cancerígena foi detectada. O problema é que ao sinal do PRIMEIRO RISO, ela entra em metástase e mais (t)humores surgem. Eu me recordo da vez que fui assistir com a Roberta ao “Chamado 2”. Sabia que o filme seria uma merda..o que eu não sabia é que ao meu lado sentariam dois humoristas. Desde o início do filme, a cada cena tosca o gordinho soltava um gracejo. Mas como eu já disse, se o filme era uma merda, o cara tinha chance de fazer um show solo. Logo nas primeiras anedotas, o casal da fileira da frente esboçou o seu descontentamento.

- Xiiiiiii!

Essa cena se repetiu umas 3 vezes. E eu calada..lamentando por não andar com um canivete na bolsa, mas bolando um método rápido e eficaz. Na quarta vez, a mulher (que na verdade era o “homem” da relação”) virou-se pra trás e exigiu silêncio. Tipo, em vão. Na quinta vez, ela novamente se virou com maior rispidez:

- “Caramba, fica quieto!”

Oi, eu me chamo Samantha e tenho um problema. Quando eu fico com raiva não consigo mais prestar atenção em nada. Àquela altura, eu já estava com ódio do filme que eu não conseguia acompanhar, com raiva de mim mesma por ter gasto dinheiro com aquela merda, com raiva do banana do namorado da mulher que não fazia absolutamente nada e claro: com raiva daquele filho da puta ao meu lado. Até hoje me recordo da cena que se tornou o clímax desse dia: “banheiro, a maldita mosca do filme saía da torneira suja. (Música de suspense)”...e o desgraçado do gordo solta: “E, é agora!”

- CALA A BOCA, ANIMAL! – esbravejei, virando pro lado.

Por um instante eu só ouvi os batimentos do coração do velhinho da ponta que, com certeza, deve ter tido problemas com o marca-passo. Silêncio total até o fim da exibição.



3- Noivas


O planeta Terra abriga os mais diferentes tipos de grupos de animais. Um deles é composto por aquele tipo de pessoa que quer bancar a noiva no escurinho do cinema e acha bacaninha chegar com a sessão já iniciada.

Eu tenho uma teoria: chega atrasado quem quer. Se não está com os ingressos, sabe que precisa pegar fila no guichê sábado à noite, quer ir à sessão das 20:30 e chega às 20hs, pra mim, essa pessoa não está bem intencionada. Quer pegar lugar bom, chegue cedo. Casal de pombinhos: quer sentar junto? Chegue cedo. Mas se mesmo assim, os infelizes chegarem com as luzes já apagadas, POR QUE NÃO SE SENTAM NA PORRA DAS FILEIRAS DO GARGAREJO??? Lugar tem. A questão é que essas almas querem descolar, no escuro, bons lugares. Todavia, como elas não conseguem enxergar direito com as luzes apagadas - o que é óbvio - o que elas fazem? Cutucam a pessoa da ponta pra perguntar se do lado da gordinha de óculos está vago. As desgraças enxergam os óculos da gordinha, mas não conseguem ver que o lugar está ocupado ou vazio. Essa é uma das razões pelas quais inclusive, eu jamais sentar nas pontas – além do que, viro alvo fácil para assombrações em filmes de terror.

Eu sempre chego cedo. Ok, quase sempre. Quando é um filme que eu quero muiiito ver, eu até compro o ingresso dias antes, como foi com “X-Men Last Stand” e “Dark Knight”. Com exceção de grandes estreias, nas quais eu sei que é impossível usar o golpe da “bolsa guardando um lugar”, nos demais eu faço. Não gosto que desconhecidos se sentem ao meu lado, temendo pessoas do grupo 2, já citado anteriormente, e pessoas do grupo 4, a seguir. E claro: sou antissocial e folgada. Gosto de ter o meu espaço e uma poltrona de limite entre mim e a pessoa a seguir. Mais que isso. Gosto de sentar na fileira do meio, que está a frente do corredorzinho que corta o primeiro grupo de fileiras. Isso porque não corro o risco de que minha cabeça vire encosto para pés. E é em busca desse objetivo que, mesmo não conseguindo sentar na poltrona do meio, do meio do meio, eu sento nas outras. Mas sempre dando o espaço de uma poltrona entre mim e a próxima pessoa. Por que uma e não duas? Porque isso dificulta que alguém se sente do meu lado. Ex: joão _ Eu _ maria.

Uma vez, eu e a Roberta estávamos no cinema e um casal de senhores chegou com o filme já iniciado. Não sei como, mas a mulher enxergou que havia dois lugares vagos – separados, mas vagos. E eles realmente estavam vagos. Um do meu lado direito e outro, do lado esquerdo da Roberta. Até aí, tudo bem. O problema foi que a coroa virou-se pra mim (logo pra MIM) e perguntou:

- Vocês podiam chegar pro lado pra que eu e meu marido pudéssemos sentar juntos?

Sim, ela disse essa frase enorme já com o filme LEGENDADO rolando lá no telão. Eu poderia estar matando, estar roubando, estar lendo a legenda, estar no Legendários, estar dizendo coisas do tipo:

- Ahhhh, quer sentar juntinho? A senhora não quer sentar juntinho lá na fileira da frente pra aproveitar e dar uma esticada na pelanca do pescoço, não?! Claro que não. A senhora quer se sentar com o seu senhor, para fazer lá sabe-se o quê, na fileira do meio... Eu que sou jovem, que não sofro de osteoporose é que tenho que fazer a dança das cadeiras? Chegasse cedo!

Mas ao invés disso, fui gentil e sucinta:

- Não. Eu gosto dessa poltrona.


4- O psicopata senta ao lado com seu catarro

Adolescentes existem, Zé graças existem, atrasados existem, mas pasmem: pessoas com catarro também. Pois é. Sabe aquele barulho irritante de alguém tentando a todo custo puxar catarro da garganta?

Imagine isso numa sala de cinema. Imagine isso ao seu lado, na sala de cinema. Imagine isso ao seu lado na sala de cinema, JUSTAMENTE NA ESTREIA DO FILME QUE VOCÊ ESPEROU SEIS MESES PARA VER, QUE COMPROU A PORRA DO INGRESSO COM UMA SEMANA DE ANTECEDÊNCIA, SE PROGRAMOU DURANTE A SEMANA, CHEGOU 1 HORA MAIS CEDO E FOI A PRIMEIRA DA FILA NA ENTRADA. Imaginou? Eu passei por isso. O filme? X-Men: Last Stand. Vou resumir o martírio: eu sentada ao lado de uma espécie de Jamelão. Só que ao invés de samba, o desgraçado puxava catarro. Qualquer esperança que eu tinha de ter um fim de tarde perfeito foi por água abaixo após saber que ao meu lado tinha sentado um porco:

- Hurrrrrr!

Eu não tinha como reagir. Cinema LOTADO, nem a fila do gargarejo tinha sobrado, estava ilhada, indefesa. Nem reagir eu podia. Tive medo de morrer. O “armário” tinha uma cara muito estranha. Juro! Parecia aqueles estudantes americanos de Física Nuclear, que antes de saírem de casa armados com um AK-47, deixavam uma carta de despedida pros pais dizendo que vozes do Capeta mandaram-no assassinar todo mundo na sala do cinema. Exatamente. Além de tudo, eu fiquei com medo de estar sentada ao lado de um psicopata com óculos fundo de garrafa. Aquela altura do campeonato, ouvir o cara puxando catarro era um sinal de que eu ainda estava viva. A questão foi que óbvio, eu não consegui prestar a devida atenção ao filme.

Na verdade, aquele não era o meu dia. Como cheguei cedo demais ao cinema, acabei lanchando antes do filme – o que nunca faço – e me deu vontade de ir ao banheiro. Voltei bem rápido– já que também não tinha ouvido tiros. Moral da história: depois do ocorrido acabei voltando mais 3 vezes ao cinema para ver o filme.

PS: Eu só não entendi uma coisa até hoje: quando alguém puxa catarro, o intuito é escarrar, correto?! Se o Leitão ao meu lado conseguisse puxar o catarro, ONDE O INFELIZ ESCARRARIA?

a) Em uma fã do Luan Santana?
b) No buquê da noiva?
c) Em algum ator do Zorra Total?
d) O barulho não era catarro. Na verdade, o cara era o porco do JigSaw (Jogos Mortais)
e) Oi?

2 reais:

Rebêlo disse...

Gostei muito, cheguei aqui pelo twitter.

Carol Ornellas - Caronella disse...

pqp, sam!
isso aqui é bom demais.
super me vi na situação, sempre rola, por isso evito cinemas, juro. rs

beijos,

Carol Ornellas